sábado, 23 de maio de 2009
Conto I.
A cena da rua quieta era um mosaíco de sombras imprecisas.Uma das sombras não balançava no vento como as das árvores,não era estática como a dos prédios e parecia rastejar,tremer.Era assim que as coisas estavam ultimamente,enquanto os olhos das criaturas apenas observavam o espaço.No fundo do galpão estavam reunidos quatro integrantes,presos a um plano maligno e nojento de encantamento generalizado.
Se alguém pudesse ter visto,a impressão inicial seria de um grupo característico que possuía uma aparência de réptil,como um vulto que parece absorver a luz e não refleti-la.Mas esses pequenos eram invisíveis a olhos humanos.
Vagueando pelas ruas eles se espalhavam por toda a cidade,virando deste lado e daquele,guiados pela vontade do vento,asas rodopiantes,olhos esbugalhados e meio humanoídes.Eles vigiavam,o fôlego saía-lhes como um brilhante vapor amarelo.Tramavam cuidadosamente enquanto discutiam os próximos papéis que seriam desempenhados por cada um.Um professor,dois coordenadores e uma aluna.
Eles repassaram rapidamente a estratégia que daqui a alguns dias impressionaria um grande número de alunos.Presos,cautelosamente pelo mal que vinha de um pretensioso deus pagão e os envolveria como uma densa fumaça.
Logo todos se encontrariam amarrados e possuídos por garras cobertas de gotículas de sangue,ressecados e enfeitiçados literalmente.Era um complô e eles haveriam de se infiltrar aos poucos,aproximando-se através dos livros e ensinamentos amadores.
Existiam instruções e o propósito era o de combinar energias psiquícas a fim de garantir o sucesso do que desejavam realmente.
Era um novo dia,aquela aula monótona havia sido interrompida e os alunos se dirigiam a Assembléia de reuniões para assistir a uma aula dinâmica.Tudo havia sido preparado com grande "carinho" e pudor,existia ali um propósito de beneficiar com uma sabedoria vinda através de... através de.
John e outros alunos interessados estavam atentos ao que seria ministrado,estranho mas começou-se a acontecer uma série de arrepios suficientemente reais o que os colocou sobre um forte desconforto.Eis que se descontraíram e entraram num espécie de transe profundo.Durante um momento,a sala ficou em silêncio exceto pelos profundos folêgos inalados por todos os presentes.
Então um nome se formou nos lábios do professor.Dito em uma língua desconhecida apenas para iniciar a aula.
-Kaseph!
E os alunos repetiram o nome outra vez enquanto deixavam que seus pensamentos se afunilassem àquele único nome que repetiam baixinho.
Pouco a pouco as peças começavam a se encaixar,não havia resistência pois o terreno era fértil.Bem acima o céu se estendia como um dossel opressivo a bloquear a luz,a sombra do mal pairava pela cidade e parecia ao mesmo tempo se locomover até a Assembléia em que os jovens se encontravam.
Os quatro personagens principais estavam a postos sobre o auditório,as portas se trancaram e o espaço se encheu de enxofre.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Verdade
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Eu amo você,droga!
Hoje o dia não é de festa, de bolo ou de tomar refrigerante com os amigos na esquina. Isso é coisa para segundas, terças e sextas-feiras. Hoje é dia de chuva, de frio, de louça suja, da saudade dos amigos e do chocolate quente pra encerrar a noite. Tem dias que as coisas correm por um percurso diferente, inacabado e sempre com aquele cheiro de flores recém colhidas no parque da cidade. Tem dias que a noite é “foda”, que o vento canta uma canção assustadora, que o suspiro me lembra o sufoco do moço que caiu no lago. Tenho dias que não me lembro de nada, é quando você aparece, enquanto estou no canto repetindo a lição que acabei de aprender, eu só posso me apaixonar por quem tenho coragem de magoar, não posso magoar você.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
Contos de primavera.
Abriram os portões e não é que o dia não estava mais nevando, alguns ramos de flores por entre a fila enorme (e bitela) mostravam claramente o início da primavera.
– É primavera!É primavera!- gritavam as crianças pelas ruas. Conhecendo-as bem era de se esperar que aprontassem até o fim do dia. Ah que privilégio!Hoje, porém não era dos melhores dias para os demais. O portão estava aberto, aquele que só se abria a cada três anos quando recebiam seres que não mencionavam o nome e com certeza quando o dia viesse se despedir por entre as folhas que tremulavam com o vento, os não mencionados dariam o ar de sua presença. Primavera quando chega é assim, um pouco sangrenta. Não se preocupe, no fim da rua há um orelhão e qualquer coisa o 190 ainda funciona,ofereça misto quente com leite,distraia o não mencionado,e se ainda assim tiver medo a luz que fica do outro lado da televisão espanta o bicho papão.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Doce de pimenta.

"Cada um vive como pode
E eu nasci pra sofrer
Cara feia pra mim é fome
Eu não faço manha pra comer não!
A vida é como uma escola
E a morte é um vestibular
No inferno eu entro sem cola
Mas o céu eu vou ter que descolar
Mas quando alguém
Precisa de um carinho meu
Não há nada que me prenda
Mas se eu sentir que um bicho me mordeu
Sou mais ardida que pimenta..."



