sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Viajando no submarino amarelo.



To cansada de materializar as coisas. Primeiro foi à paixão, o sorvete, as coisas que eu trouxe com a abertura dos portais, o vento e o devaneio. Já faz algum tempo que eu queria dizer isso. Odeio essa necessidade viril de fazer surgir coisas, esse sentimento incansável de dar vida (mesmo que seja na imaginação) ao que não pode existir. De onde o sentimento saiu também jorra outras fantasias sem que seja preciso seguir uma linha tênue de raciocínio. Claro que no lugar onde vivo nada tem muito nexo ou encaixe, é como se surgisse de uma explosão semelhante à teoria do Big Bang. Garanto que o que estou dizendo está sendo compreendido, as próprias palavras vagas e fugitivas justificam a teoria sem ter medo de ser feliz. “Loucos” assim não fazem mal à sociedade, também não estão dispostos a perder uma grande quantidade de tempo com homens ou vermes (tanto faz). Parece até que estou chapada ou louca, mas não é verdade. Bem, meu teste psicológico não alegou nenhuma anomalia. Até consegui ver os dois frangos dançando tango, o morcego andando de bicicleta e os bichinhos no submarino amarelo, enfim... Coisas assim eu não consigo materializar, nem mesmo Mefistófeles traria ao mundo algo tão bizarro.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Noite dos garotos.


O frio lá fora era cruel e pra variar garoava como nos invernos passados. Dentro da cabana os três integrantes se amontoavam uns sobre os outros para se aquecer. A quem diga que os homens são descuidados por natureza, eu afirmo que eles usam o descuido para dormirem próximos uns dos outros (eu sou cruel! Risos). Como as coisas sempre tendem a piorar, choveu. Quer dizer, a casa caiu e a água inundou toda a cabaninha do amor. Romário (a perereca), Gertrudes (a aranha) e Ted (o vira-lata de estimação) ficaram apavorados e começaram a fazer suas preces torcendo pra sobreviver à noite. Os garotos não acordaram e, portanto nenhuma atitude para “salvar o mundo” foi tomada. Infelizmente alguns integrantes quase morreram afogados. Como era de se esperar a cabana estava coberta de mistérios que iam se acumulando das noites anteriores, três garotos, três bichos de estimação, uma centopéia de pelúcia, luzes apagadas... É, e a noite não era de pôquer.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Recesso...

Imagine.


E ela está trancada no quarto. Raramente ela sai. Às vezes ela come outra hora o sol resolve entrar pela janela tudo depende do dia. Isso acontece sempre que ele se lembra de destrancá-la do quarto. É como uma jaula, ou uma gaiola. Defina como quiser. Se paga para entrar e assistir a cena. É barato, também não tem nenhum requinte ou luxo, é simples, mas o espetáculo vale à pena. Foi o que me disseram. Ontem à noite eu a vi sair. Foi um choque, magra até os ossos e de aparência adoentada. Eu ainda não acredito que ela escolheu essa vida bizarra e em péssimas condições. Mas cada um faz as escolhas que pode, agarra as oportunidades que lhe convém. Tentei acenar da janela assim que ela olhou para cima. Ela viu, sorriu gentilmente e continuou a olhar. Gastamos alguns minutos. A cena estava estática, ela tinha a resposta e eu tinha a pergunta. Não houve aceno, pedido de socorro ou uma expressão diferenciada. Nem sequer nos apresentamos. Ela sabia o que eu estava pensando, sorriu novamente. Pelo menos foi o que a luz do poste refletiu assim que olhei para baixo. Agachou-se catou algo no chão,amarrou o cadarço e me olhou pela última vez. Abriu o portão e voltou à jaula. Dessa vez não era preciso perguntar. Ambas imaginávamos um mundo diferente.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Acho que perdi o costume com as palavras. Elas não me obedecem mais. Deve ser o regime em que as coloquei com hora certa para surgirem ou para saírem. Controle de pensamentos e sentimentos e enfim eu estava querendo manipulá-las. Ninguém pode controlar as palavras elas existem por si só e pronto. Já é o bastante. Quando Deus disse “Haja luz” foram apenas duas palavras que surgiram com um grande efeito. Quando digo a alguém “eu te amo” o efeito pode ser ainda maior (válido somente para às vezes em que não se diz da boca pra fora) e assim em diante. Quando não dizemos nada apenas olhamos, quando se há ausência de palavras,quando se diz “estou com medo”, ”estou com fome”, são sempre palavras, pequenas palavras, mas não APENAS palavras.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

3 dias.


Há três dias eu estava preparando uma porção de batatas fritas e um copo do meu refrigerante favorito para virar a noite em conversas e outras coisas “tão produtivas” que temos na internet. Isso há exatamente três dias!É como a música “Epitáfio” diz: “Devia ter me importado menos com problemas pequenos. Ter morrido de amor.” Bem isso há TRÊS dias,quando eu tinha tempo porque o amor requer tempo,a amizade requer tempo, sexo requer uns vinte minutos e o resto à gente sempre deixa pra depois (risos). A história é triste mais contá-la-ei (Mesóclise não!). Cá estou eu sentada digitando mais um dos meus textos sem nexo e ao mesmo tempo divertidos para mim. São 23h eu estou chegando do cursinho (você não leu errado, eu estava estudando mesmo.). O meu dia já era tão divertido, mas nada que a química não o deixasse ainda mais (mato o infeliz que a criou, eu juro). Eu sempre pensei que seria uma pessoa responsável dessas que estudam dia e noite e só param para comer e tomar banho. Eu uso óculos saca, daí tenho cara de nerd, jeito de nerd, mas não sou.A gente não consegue tudo que quer né,achei até que se comprasse uma daquelas camisas com frases estranhas que só nerds entendem poderia me ajudar em alguma coisa mas não adiantou nada. Minha mãe deveria ter se esforçado mais e feito muitas promessas pra que eu nascesse com a bunda virada pra lua. Mas ela não o fez (cara de triste agora). E eu estou aqui, não como a três dias em que eu podia acordar às duas horas da tarde e dormir às cinco da manhã. Estou refletindo em como fui uma “garota má” hoje, como só eu consigo parar na coordenação no terceiro dia de aula, enfim...se química fosse palpável eu juro que lhe cravaria uma tesoura.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009


Eu ainda vou fazer o estrago que eu quero. Está bem, eu não vou queimar a televisão ou atear fogo à geladeira, não irei atropelar os pedestres que atravessam fora da faixa e nem dar um tiro no computador que é movido à lenha. Não estou me referindo a esse tipo de estrago. Talvez estragar nem seja a palavra correta, isso me lembra coisa vencida ou uma batida de carro e também não me refiro a isso. Refiro-me a uma mudança e eu sei exatamente o que vão me dizer “Quem é você pra achar que consegue?”. Exatamente! Quem foi que disse que precisa ser?

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O mal é da idade.


Tem dias em que eu me entrevo toda, acordo com o pescoço meio virado e a coluna estralando mais que o velho senhor da esquina. Foi assim que percebi que estava chegando na idade,que já não tinha ritmo para passar noites em claro comendo doritos e deitada no sofá,nem para as aulas de dança que exigiam muito esforço corporal ou aquele esquema de agachar para limpar os pés do sofá que já estão velhos.Eu precisava escolher entre evitar a fadiga ou limpar a casa (risos),todos dois são muito atrativos. Esse acontecimento me fez lembrar esse avanço tecnológico que anda revolucionando países do mundo todo, inclusive o Brasil que convenhamos não é lá essas coisas. Pensei em como poderia trabalhar algumas horas (por dia) pra poder comprar um robô que nem nos desenhos animados, pra limpar a casa, fazer comida e atender a droga do telefone. Me peguei sentindo uma dó por tamanha escravidão que ele acabaria passando e pela raiva que eu descontaria nele por todo o tempo de trabalho que me custou.Seria um ciclo vicioso e perverso e admito que não me sentiria bem com isso.Não gosto de pisar nas pessoas mesmo que estas sejam feitas de aço,parafusos e pedaços de porcelana. Eu preciso me conformar com isso. A idade chega para todos embora a minha ainda esteja a uns trinta anos de distância é preciso evitar a fadiga.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Temos nosso próprio tempo.


E ele não é marcado no relógio, não define sua quantidade de gritos ou de medo. É o seu tempo. Ninguém controla ninguém sabe de coisa alguma... Às vezes ele para, passa pela gente sem pedir licença. Grita alto, chuta o balde, te enche de golpes e diz:”eu desisto de você,você não consegue sair do lugar”.O tempo também tem as suas recaídas,não que ele se entregue todas as vezes é que tem suas carências e seus medos, mas o tempo não sangra,não precisa de curativos ele é o senhor do seu domínio. Ele tem o controle sobre tudo, inclusive sobre mim. Não posso dormir,falar ou partir para outro universo sem que me autorize, mas há momentos em que ele para. Deito no chão, fecho os olhos e percebo que não sei o que estou fazendo, apenas faço e talvez seja esse o momento em que pego o caderno,aponto o lápis e falo sobre os falsos sorrisos.