sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Imagine.


E ela está trancada no quarto. Raramente ela sai. Às vezes ela come outra hora o sol resolve entrar pela janela tudo depende do dia. Isso acontece sempre que ele se lembra de destrancá-la do quarto. É como uma jaula, ou uma gaiola. Defina como quiser. Se paga para entrar e assistir a cena. É barato, também não tem nenhum requinte ou luxo, é simples, mas o espetáculo vale à pena. Foi o que me disseram. Ontem à noite eu a vi sair. Foi um choque, magra até os ossos e de aparência adoentada. Eu ainda não acredito que ela escolheu essa vida bizarra e em péssimas condições. Mas cada um faz as escolhas que pode, agarra as oportunidades que lhe convém. Tentei acenar da janela assim que ela olhou para cima. Ela viu, sorriu gentilmente e continuou a olhar. Gastamos alguns minutos. A cena estava estática, ela tinha a resposta e eu tinha a pergunta. Não houve aceno, pedido de socorro ou uma expressão diferenciada. Nem sequer nos apresentamos. Ela sabia o que eu estava pensando, sorriu novamente. Pelo menos foi o que a luz do poste refletiu assim que olhei para baixo. Agachou-se catou algo no chão,amarrou o cadarço e me olhou pela última vez. Abriu o portão e voltou à jaula. Dessa vez não era preciso perguntar. Ambas imaginávamos um mundo diferente.

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