terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Ausência.


Ela abriu os olhos e viu, limpou o excesso de batom que ainda restava. Sentados à mesa de jantar, pratos feitos, taças de vinho e algumas velas aromáticas. Na ponta de lá da mesa um homem mordia uma maçã, olhava friamente ao redor e para a mulher que tinha os olhos fixos e paralisados. O vento espalhava as folhas que cobriam o chão do local, estavam dentro da casa, mas o chão lembrava tardes de outono. No piano alguém tocava uma música, pouco importava. Palavras não eram ditas. A casa não tinha cheiro nenhum, estava coberta de teias e lá fora os lobos uivavam. Não era assustador, não lembrava filmes de terror apenas estava mal-cuidada. A mulher não existia, nem o homem, mas ambos vestiam uma capa vermelha e pra quem observava a cena de fora, à situação retratava desejo, malícia e noites de volúpia. A volúpia era na verdade a fada que se transformava em sereia e tinha asas de borboleta, era a metamorfose que sofriam entre o medo, a ausência e a liberdade, o silêncio era a raiva e o encantamento em que ambos estavam e a capa vermelha era a representação da falta que tinham deles mesmos, não existia vida e nem paixão, mas eles sequer se olhavam no espelho.

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